Pesquisar neste blogue

Mostrar mensagens com a etiqueta Dioxinas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Dioxinas. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 10 de junho de 2016

AUTORIZAÇÃO PARA MATAR...DADA À CELTEJO no rio Tejo em vila velha de Ródão (Programa sexta às 9 RTP1)

Resultado de imagem para tejo poluído
Resultado de imagem para tejo poluídoUma autêntica vergonha nacional em termos ambientais.

DERROGAÇÃO PARA MATAR POR + 25  ANOS no Rio TEJO!
 Esta derrogação só não será revertida se o Governo não quiser!
    Quem reverteu a TAP também consegue alterar esta questão da poluição no rio Tejo.
    Só é preciso um pouco de vontade e coragem pois todos nós sabemos quem está do outro lado. É até curioso ver quem faz parte da estrutura accionista desta e doutras empresas que poluem o rio Tejo.  Não desejo faltar ao respeito à nenhum Órgão de Soberania  incluindo o Parlamento e os nossos representantes, mas para nós que estamos no terreno há evidências difíceis de escamotear.

 

   Em relação aos tais autos que costumam ser estabelecidos, este Governo vai ter de inovar e esclarecer as populações sobre muitas coisas que se passam ligadas ao ambiente . Ao lermos a diversa legislação sobre ambiente apercebemo-nos de que as populações são sempre faladas..... mas na prática só vemos ostracisamento, esquecimento, e demasiadas vezes -  presumivelmente - inércia/inépcia, se não mesmo manipulação de dados e da própria opinião pública.
    Nós populações temos deveres mas também temos direitos e entre outros o direito à vida.
 Exemplos são às centenas mas relembro um: em 2017 há de novo eleiçôes autárquicas e lá voltaremos às relembranças e lapsos de memória, quando não mesmo amnésia total.

     Sobre os autos ambientais além das diversas propostas que tenho apresentado ao Governo irei apresentar mais uma para as populações terem acesso ao evoluir dos mesmos.
    Assim diz a Constituição e toda a legislação ambiental e incluindo a própria Lei da APA 56/2012.

  Estado de Direito  por onde andas?

 Código Penal artigos  278 e 279 porque foram rasgados?

    Constituição da República artigos  9 e 80 não costumam ser cumpridos porquê?
   


#http://sos-riotejo.blogspot.com/
#CarlaTomazexpresso
#crimesambientais
#Igamaotinspeçãoambiental
#CeltejopoluiçãoTejo
#CentrolivapoluiçãoTejo
#JoãodeMatosministroambiente
#Sepnapoliciaambiemte
#AntónioCostaGovernoPortuguês
#Rtpcrimesambientaissextaàsnove
#CodigoPenalcrimesambientais
#Constuiçãorepublicaportuguesacrimeambientais

http://www.rtp.pt/noticias/pais/crimes-ambientais-no-tejo_v910106




Resultado de imagem para tejo poluído                            




Resultado de imagem para tejo poluído

sexta-feira, 13 de maio de 2016

CINZAS DA CENTRAL DE INCINERAÇÃO DA LIPOR SÃO UM RESÍDUO PERIGOSO

 CINZAS DA CENTRAL DE INCINERAÇÃO DA LIPOR SÃO UM RESÍDUO PERIGOSO e claro que a curto, médio ou longo prazo irão afectar o meio ambiente pelo envenenamento das zonas envolventes e principalmente dos veios freáticos. Portugal a este nível de controlo de aterros passa por uma situação dramática 
 http://www.quercus.pt/comunicados/2016-col-150/maio/4736-cinzas-da-central-de-incineracao-da-lipor-sao-um-residuo-perigoso


 A questão dramática para Portugal não é só este ou um outro aterro, mas no fundo, todos os aterros que não têm controlo sobre possíveis escorrimentos/vertimentos/rupturas da impermeabilização (...!)e que estão a contaminar os veios freáticos e que impedirão as gerações futuras de acederem a água potável em condições mínimas  de qualidade e custos.
Recordo também aos que se interessam por estes assuntos ambientais, que durante a década de 80 o que se falava diariamente na imprensa eram os "locais..."onde estavam ARMAZENADOS PRODUTOS TÓXICOS. Era assim que se falava naquela época quando ainda não havia web. Esta questão é pertinente e levou-me a uma reflexão e que é a seguinte: Será que estes locais acabaram? Claro que não. Será que estão licenciados? Em principio sim e pela APA. Admitindo que sim que controlo faz a APA a esses locais? Mesmo sendo legal será que a nova legislação entretanto em vigor não anula estes depósitos? A opinião pública não tem o direito a saber onde se encontram esses locais , a sua perigosidade a sua toxicidade e os controlos que são efectuados, pois é da nossa saúde que falamos. Estão a chegar contentores a Portugal vindos de outros Países. Porquê? Portugal virou depósito de tóxicos? pedreiras que estão a servir de cemitérios a produtos tóxicos e isso é legal ou ilegalmente? Houve uma altura e que foi a de construir aterros e mais aterros e agora deveríamos estar já na fase seguinte e que era a de controlar as zonas envolventes a aterros e principalmente os veios freáticos..... pois será este controlo a dar o alerta se há ruptura...obviamente.
  Alguns já estão cobertos e encerrados.... quase como se fosse uma vitória ou prémio, mas não vejo ninguém a falar a nível das cúpulas e nem a imprensa.Nós, a tal opinião pública temos o direito ao esclarecimento conforme diz a Constituição e diversas Leis Gerais.




http://www.quercus.pt/comunicados/2016-col-150/maio/4736-cinzas-da-central-de-incineracao-da-lipor-sao-um-residuo-perigoso

domingo, 13 de março de 2016

ACABOU A IMPUNIDADE, O COMPADRIO, O SUBORNO ENCAPOTADO!. PORTUGAL TEM DE DAR MOSTRAS DE SE QUERER AFASTAR DOS LUGARES DE HONRA DA CORRUPÇÃO!


                     PALAVRAS DO SENHOR MINISTRO DO AMBIENTE
                                 João Matos Fernandes Engº.
  SOBRE  OS TAIS 500 PREVARICADORES QUE POLUEM E ASSASSINAM ESTE RECURSO NATURAL DE TODOS,  O RIO TEJO
http://rr.sapo.pt/noticia/48169/ministro_do_ambiente_garante_acabou_a_impunidade_da_poluicao_no_tejo?utm_source=rss
.........................................................................................................................

..... E ASSASSINAM ESTE RECURSO NATURAL QUE É DE TODOS, O RIO TEJO. (quando escrevo de todos há que ter cuidado com as palavras......... pois este não pertence às fábricas...por exemplo, dado o Rio não ser um esgoto!). Os rios pertencem às suas populações ribeirinhas e terão de ser vistos como reservas estratégicas de água e alimentos e não esgotos! Ou será que há dúvidas?

Eu #DeMattosSébastien digo que já está confirmado que a poluição continua a ser descarregada-mesmo que em menor quantidade-durante a noite. Por isso o objectivo seguinte será:" POLUIÇÃO ZERO" POIS É O QUE DIZ A CONSTITUIÇÃO e TODA A LEGISLAÇÃO EUROPEIA.
É também o nosso direito à vida e preservação da nossa saúde, dado a cadeia alimentar se encontrar afectada.

Dado que fomos vizinhos durante alguns anos, da minha parte terá o benefício da dúvida. Fiquei também contente por ter sido nomeado um Técnico do Distrito de Aveiro..... e logo nascido em Águeda! Boa! Também tenho a minha vida ligada a Águeda, e Aveiro e Vale de Cambra e Albergaria e Estarreja, e Sever do Vouga e Mira e Esmoriz e Ovar e Torreira e S.Jacinto e Murtosa e depois todo o percurso até Viseu. Até direi mais, se o Snr.Ministro continuar com este impeto.... vamos ter obra! Em 2 meses de mandato já ultrapassou o seu colega anterior......dado estarem trancados/truncados "120 autos" no Ministério do Ambiente!... Quer dizer o SEPNA fazia o seu trabalho e depois ia tudo pro cesto VIP...??!!! Isto de haver listas azuis e padrinhos vai ter de acabar. Tenho fé. A seguir gostaria de ver todos os rios poluídos iniciarem um processo de >stop and go<.

O distrito de Aveiro também tem problemas em quase todos os rios e a começar no famoso Rio Paiva. As delegações regionais das CCDRs e ARHs vão ter de mostrar mais produtividade e com os mesmos meios! Uma questão intrigante: Porque razão a ARHtejo até 2012 fazia ela própria denuncias e depois deixou de o fazer? Fica aqui um exemplo: http://www.publico.pt/ciencia/noticia/vila-velha-de-rodao-arh-do-tejo-acusa-camara-e-empresa-centroliva-de-descargas-ilegais-no-tejo-1539913. Sim eu sei que depois veio a tal lei 56/2012 (APA), mas hoje fico por aqui.

O IGAMAOT como Órgão máximo de inspecção também vai ter de se assumir sendo mais interventivo. Eu sei que quem manda é o Ministro da Agricultura, mas ao não actuarem mostram conivência o que terá de se lamentar. É também por demais evidente de que há demasiadas "quintas" com poder sobre o domínio hídrico e depois quando a coisa corre mal, ninguém dá a cara! Ninguém tem culpas nem se assumem. Depois, as culpas são dos rios, dos caudais, do tempo, dos espanhóis, das estrelas e por vezes das bacias hidrográficas, e demasiadas vezes até... das populações que reclamam! Impressiona!
O conceito de " mitigação" à luz das novas leis e conceitos não existe.....pois isso seria colocar a culpa no rio! Exemplo, não havendo caudal...... a industria tem de descarregar os efluentes e se morrerem todos os seres vivos paciência! Essa situação vai-se colocar a partir de agora e até ao verão. A possibilidade dos efluentes serem descarregados directamente no mar também não é solução viável e duradoura! Pois agora circulam pela A.23 e IC8 em direcção à Figueira da Foz. Tudo isto já é visível dos satélites! Lamentável ! Lamentável e em retrospectiva a 2015, que alguém tenha dado ordens para aumentar a produção sem se preocuparem com os efluentes!.E com todo o ecossistema! E com as populações ribeirinhas e a nossa cadeia alimentar! Lamentável agora que depois de todo o nosso barulho estes CONCENTRADOS estejam a ser transportados via rodoviária. E E isso , se estiverem a ser descarregado no mar de forma encapotada,pode ser controlado pelos diversos Organismos? Claro e deve-o. E O MAR é alguma estação de tratamento? Ou uma ETAR GIGANTE? Bem, em que País vive esta gente snr Ministro? Em qual Portugal e qual Europa e qual COP21 e qual RIO, qual quê!? As LEIS que eu conheço são as mesmas que os outros senhores administradores conhecem, ou o contrario? Será que este estado de Coisas tem um outro nome estranho e vestido de negro? Onde foi descoberto este novo Estado de Direito e nova Constituição ? Preciso e precisamos de respostas urgentes? Há demasiados portugueses à espera destas respostas!. We ned your help Mr Ministre João Matos Fernandes! On besoin de votre aide Monsieur João Matos Fernandes ! The peoples are clamoring for your help and tank you!

A interacção/relacionamento com as populações também terá de sofrer uma reviravolta total, sendo que a APA não pode vir a reboque das redes sociais ou das nossas reclamações para a sua caixa de correio! A Apa tem de se assumir como uma AGÊNCIA LIDER e em antecipação esclarecer as populações sobre o que se passa num determinado rio. Nós populações, não podemos servir de carne para canhão e sermos marginalizados, e inclusivé mortos,quando deveríamos ser a parte mais importante a fazer fé na Constituição e no Direito. A nossa vida e a nossa saúde deviam merecer mais respeito! Nós não temos de nos envergonhar ou sequer pedir desculpa por ainda estarmos vivos! Mesmo que tal seja interessante para a Segurança Social!

Ia pra escrever parabens,snr Ministro...mas fica adiado e vou esperar para ver a acção/inacção/reação/enervamento ou fechamento das tais fábricas sem nome.e sem culpas. Peço daqui também ao Senhor Ministro para reavaliar o processo da Valamb em Alcains, (centroliva 2) mesmo tendo em atenção de que o accionista principal também ser do distrito de Aveiro!! Porque não faz este senhor uma fábrica destas na sua terra, por exemplo Romariz, ou Escariz na Vila da Feira? #DeMattosSébastien.et c'es ma terre qui va mieux! Só existe um planeta!. À vous de jouer M.Ministre, parce-que c'este votre heure et bonne chance! De tout cœur!
  


quarta-feira, 2 de março de 2016

IGAMAOT pediu ao Ministério Público a abertura de inquéritos criminais a duas empresas suspeitas de poluírem o rio Tejo

http://expresso.sapo.pt/sociedade/2016-02-18-Ministerio-do-Ambiente-abre-processos-crime-por-poluicao-do-Tejo
A Inspeção-Geral do Ambiente (IGAMAOT) pediu ao Ministério Público a abertura de inquéritos criminais a duas empresas suspeitas de poluírem o rio Tejo e determinou a abertura de dois "novos mandados" de busca a duas onde "foram detetadas infrações contra o ambiente", informa o Ministério do Ambiente em comunicado enviado esta quinta-feira às redações.
Se não cumprirem os prazos estipulados pelos inspetores para corrigirem a situação, duas das três empresas em causa poderão ser "encerradas". Sobre a terceira pende apenas um novo mandado para averiguar os incumprimentos ambientais.
O Ministério do Ambiente não identifica as empresas, mas oExpresso apurou que duas se localizam em Vila Velha de Ródão e uma em Mora e que, para já, foram identificadas pela Inspeção-Geral do Ambiente como as maiores infratoras entre as 58 empresas investigadas nos últimos dias, na sua maioria localizadas na bacia do Tejo.
Nos último mês, o ministro João Matos Fernandes homologou 120 processos da IGAMAOT que estavam "pendentes desde Agosto", 30 dos quais relacionados com entidades localizadas junto a este rio ou seus afluentes. Estas homologações dos processos terão permitido avançar com as diligências agora anunciadas.
Há duas semanas, o Ministério do Ambiente informara ter feito um ultimato à empresa Centroliva para que esta adotasse em cinco dias "medidas urgentes" para limpar terras contaminadas e mais 30 dias para “exercer a sua atividade sem incumprimentos ambientais”. Esta fábrica que processa bagaço e produz energia a partir de biomassa, junto à Ribeira do Açafal, em Vila Velha de Ródão, está identificada como uma infratora recorrente.
Outra das empresas a que foram exigidas no início de fevereiro “medidas adicionais para cumprimento das condições de descarga” foi a empresa de pasta de papel Celtejo.

BE INTERROGA MINISTRO

Na sequência das últimas audiências parlamentares sobre a recorrente poluição do Tejo, o Bloco de Esquerda dirigiu esta semana um conjunto de perguntas ao ministro João Matos Fernandes, entre as quais: "Que medidas tomou ou prevê tomar o Governo para impedir que os investimentos previstos pela Celtejo só ocorram em 2019-2020, e não mais cedo como havia sido determinado?" E quais as entidades “notificadas para a adoção das medidas consideradas necessárias para a resolução dos problemas detetados” que já executaram as medidas indicadas?".
Outra das interrogações dos bloquistas equaciona o acesso público, em tempo real, aos dados da monitorização em contínuo dos despejos para o rio feitos pelas empresas.
Ainda não há respostas do ministro do Ambiente para estas questões, nem sobre que posição tomará o Governo nas negociações com Espanha sobre os caudais do Tejo, tendo em conta que em 2015 a falta de água em vários troços do rio agravou os problemas de poluição

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Dioxinas e Dibenzofuranos no meio Ambiente. A grave toxicidade dos químicos utilizados pelas industrias de pasta de papel

e outras
=PERMITO-ME ACONSELHAR AS AUTORIDADES PORTUGUESAS A DEBRUÇAREM-SE SOBRE ESTES ESTUDOS POIS É TUDO DEMASIADO GRAVE O QUE TEM ACONTECIDO EM ALGUNS RIOS PORTUGUESES E COM ESPECIAL INCIDÊNCIA AQUI NO RIO TEJO=
==============================================================
http://www.spq.pt/magazines/BSPQ/596/article/3000867/pdf


Este estudo não é da minha autoria #De Mattos Sébastien, mas sim dos autores abaixo indicados a quem agradeço e faço a minha vénia pessoal e também em defesa desta Causa da defesa dos Rios e com o enfoque no Tejo.
   Obrigado às Faculdades Portuguesas que participaram também nesta abordagem técnica bem como aos Mestres e Pesquisadores.
     Este Estudo sobre a toxicidade dos produtos químicos utilizados pela industria de tratamento de pasta de papel é publico. Existem outros estudos análogos, incluindo de autores portugueses=====================




Dioxinas e Dibenzofuranos no meio Ambiente J.C.M.BORDADO*, H.M.S.FERREIRA**, J.F.P. GOMES*** 1. INTRODUÇÃO Ao longo deste século verificou- -se um grande desenvolvimento da indústria química, nomeadamente na produção industrial de compostos de síntese, tendo-se que uma das grandes áreas de desenvolvimento ocorreu ao nível da química dos compostos organoclorados. O cloro, apesar dos problemas de segurança e toxicidade que sempre apresentou, foi un elemento que permitiu o aparecimento de diversos polímeros - dos quais o mais vulgarizado é o policloreto de vinilo (PVC) com inúmeras aplicações - dos herbicidas e pesticidas como o DDT e fluidos dieléctricos e aerossóis designados genericamente por clorofluoro-carbonados (CFCs). O fabrico intenso de compostos organoclorados que se verificou a partir da década de 40, aliado à sua grande estabilidade biológica e molecular, tem vindo, progressivamente, a colocar problemas ambientais urna vez que os compostos deste tipo, por regra bastante tóxicos, se têm vindo a acumular na natureza de forma preocupante. Além disso, o esforço humano em reduzir a acumulação dos compostos acima referidos conduz, por vezes, à produção de compostos de toxicidade ainda mais elevada como são as dibenzo-para-dioxinas policloradas, correntemente designadas por dioxinas (PCDDs - "PolyChlorinated DibenzoDioxins"). Algumas dioxinas e dibenzofuranos são compostos cancerígenos para os animais e também para os seres humanos. Embora ainda não sejam totalmente conhecidos todos os efeitos das dioxinas nem estejam explicados todos os mecanismos pelos quais elas actuam, já se encontram definitivamente estabelecidos alguns aspectos toxicológicos que permitem classificá-las como das substâncias mais tóxicas conhecidas. No que diz respeito à sua origem, tem-se que estes compostos nunca foram produzidos industrialmente com um objectivo concreto mas resultam, como produtos indesejáveis, de reacções secundárias em diversos processos industriais das indústrias química, do papel e da celulose, metalúrgicas (e particularmente, siderúrgicas), de desengorduramento de metais e de fabrico de materiais poliméricos. Contudo, urna outra fonte particularmente importante destes compostos reside nos processos de combustão que ocorrem em incineradores, quer se trate de incineradores de resíduos urbanos, hospitalares ou industriais, quer de plásticos e de lamas de depuração de tratamento de águas e efluentes líquidos, particularmente no caso em que os teores em compostos clorados sejam significativos. Dada a elevada perigosidade dos compostos anteriormente referidos, tem-se vindo a procurar diminuir os níveis de emissão e os respectivos impactes ambientais daí decorrentes. Esta diminuição passa pela introdução de novos processos, incluindo a optimização da combustão nos sistemas de incinera- ção, mas também pelo uso de combustíveis isentos de cloro e pela substituição de produtos e matérias-primas industriais contendo cloro. Concomitantemente, têm vindo a ser desenvolvidas técnicas cada vez mais precisas de doseamento analítico destas substâncias, embora seja este um campo onde se verifica ainda a necessidade da realização de trabalhos de Desenvolvimento de métodos, por forma a permitir urna correcta monitorização ambiental que, de momento, ainda é difícil de efectuar para alguns tipos de matrizes, em particular em amostras de natureza biológica. As dioxinas passaram a ser "tristemente célebres" a partir de acidentes graves de derrames em unidades industriais do sector químico, como foram o de Times Beach, Missouri, EUA, no início dos anos 70, e principalmente o de Seveso, Milão, Itália, que ocorreu em 1976. No dia 10 de Julho de 1976 verificou-se uma libertação extemporânea de urna mistura de compostos químicos contendo 2,3,7,8- tetra clorodibenzo-p-dioxina (TCDD), para a atmosfera, a partir de uma fábrica da indústria química situada na localidade de Seveso, atingindo uma área considerável, densamente povoada, nas proximidades de Milão. A ocorrência deste acidente veio mostrar a necessidade da Indústria conhecer em detalhe os riscos e perigosidade dos produtos libertados em condições de emergência ou acidente, mas também as dificuldades, tanto da indústria como das autoridades, em fazer face a emergências desta natureza. Eata circunstância levou ao aparecimento de uma nova filosofia de notificação e prevenção de acidentes industriais ditos "graves", consubstanciada por legislação europeia específica conhecida corno a Directiva Comunitária Seveso. Além disso ficaram ainda evidentes os poucos conhecimentos de que se dipunha acerca das dioxinas, em termos da sua química, mecanismos de formação e de reacção, e toxicidade.
2. CARACTERÍSTICAS FÍSICAS E QUÍMICAS DAS DIOXINAS E DIBENZOFURANOS A primeira dioxina clorada foi sintetizada em 1872 por Merz e Weith, mas a estrutura do composto só ficou completamente esclarecida em 1957 [1]. A primeira síntese de TCDD também foi efectuada em 1957 [2], tendo-se verificado que, em ambos os casos, os técnicos de laboratório envolvidos nos trabalhos foram hospitalizados com sintomas de intoxicação [3]. Entre esta data e o acidente de Seveso, encontram-se documentados diversos acidentes ocorridos no processo de produção de 2,4,5-triclorofenol a partir de 1,2,4,5- -tetraclorobenzeno, que atingiram mais de 410 trabalhadores. No entanto, a toxicidade da TCDD só passou a ser devidamente estudada a partir do acidente de Seveso [4]. Os derivados clorados das dibenzo-para-dioxinas são compostos orgânicos com analogias estruturais com os hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (PAHs). Os átomos de hidrogénio das posições 1 a 8 podem ser todos substituídos por átomos de cloro, havendo assim um total de 75 possibilidades de ocorrência de derivados clorados diferentes, de entre os quais a 2,3,7,8-tetraclorodibenzo-p-dioxina (2,3,7,8-PCDD ou TCDD), é o que apresenta o maior QUÍMICA - 72 . 1999 15 a r t i g tI grau de toxicidade [5 e 6]. A investigação sistemática destes compostos efectuada a partir de 1976 revelou aspectos da elevada toxicidade das dioxinas e, em particular, que a TCDD é declaradamente a substancia cancerígena mais potente, em termos de organismos humanos, alguma vez avaliada pela USEPA, a Agência de Protecção Ambiental Americana [6]. Isto significa que mesmo a exposição a quantidades extraordinariamente diminutas deste composto pode provocar efeitos, na saúde, muito sérios e irreversíveis. Diversos estudos toxicológicos em roedores, peixes e macacos têm vindo a demonstrar que a exposi- ção a TCDD tem efeitos carcinogénicos, reduz as defesas imunológicas e a fertilidade [5]. Apesar da quase total inexistência de estudos em humanos, por razõ- es compreensíveis, reconhece-se que a persistência de TCDD no organismo é elevada, sendo estimada a sua meiavida no organismo em cerca de 7 anos. Até agora, os efeitos observáveis em indivíduos expostos a dioxinas têm estado associados a sindromas não letais como o aparecimento de cloroacne, a activação de alguns enzimas (tais como os da família dos citocromos P450) e a possível redução da contagem de espermatozóides, hem corno alterações do sistema imunoló- gico e da velocidade de coagulação do sangue [6]. A exposição dos seres humanos a altos níveis de concentração de dioxinas ocorrida durante os graves acidentes industriais anteriormente referidos resultou, em primeiro lugar em afecções tais como cloroacne e doenças do fígado [7]. Estudos epidemiológicos efectuados sobre as populações expostas e publicados depois desta data [8], estabelecem definitivamente que as dioxinas são promotores/carcinogénicos corno já havia sido demonstrado em animais. Os indícios existentes relativos à elevada toxicidade são mais do que suficientes para impor a identificação das fontes de dioxinas e reduzir as emissões para o ambiente, evitando assim contamina- ções através da cadeia alimentar que é urna das principais fontes próximas de contaminação do homem. 3. FONTES PRINCIPAIS EMISSORAS DE DIOXINAS E DIBENZOFURANOS PARA A ATMOSFERA Historicamente, as fontes emissoras de dioxinas e dibenzofuranos classificam-se em três categorias principais: a) Industriais : —processos da indústria química — processos da indústria de celulose e papel —processos metalúrgicos e side rúrgicos —desengorduramento de metais —fabrico de retardantes de chama contendo bromo e/ou cloro h) Processos de combustão 11.1) Fontes estacionárias : —incineradoras de resíduos municipais — incineradoras de resíduos tóxicos e perigosos —incineradoras de resíduos hospitalares —combustão de lamas de depuração de ETARs —processos de reciclagem de metais b.2) fontes móveis : —exaustão de gases de veículos automóveis —incêndios florestais e incêndios controlados em actividades agrícolas —fumo de cigarros b.3) fontes acidentais: —combustão de policlorobifenilos (PCB), PVC, incêndios envolvendo outros materiais plásticos, etc. c) Fontes secundárias: —exaustão de gases provenientes de aterros e áreas contaminadas —aplicações decorrentes da utilização de lamas de depuração de Estações de Tratamento de Aguas Residuais (ETAR) 3.1. Indústria química e indústrias paraquímicas No que diz respeito aos processos de produção da indústria química, são de salientar os seguintes processos como potenciais geradores de dioxinas e dibenzofuranos como produtos secundários do processo de fabrico por ordem decrescente de importância : —produção de clorofenóis e seus derivados —produção de clorobenzeno e clorobenzenos substituídos —síntese de compostos clorados alifáticos —processos que recorrem a intermediários clorados —produção de compostos clorados inorgânicos —processos que utilizam solventes e catalisadores clorados —manufactura de retardantes de chama contendo bromo e/ou cloro A indústria química e as industrias paraquímicas que utilizam compostos de cloro têm vindo a aceitar a necessidade de contribuir para o estudo e resolução do problema, investindo em tecnologias mais limpas ou, quando possível, isentas de cloro. O melhor exemplo a este respeito é a evolução recente que se verificou no sector de produção de pasta de celulose, em que foram inicialmente desenvolvidas as tecnologias ECF ("Elemental Chlorine Free" - isenta de cloro elementar) e posteriormente TCF ("Total Chlorine Free", isenta de quaisquer compostos de cloro). No caso deste sector industrial a matéria-prima, a madeira, é a fonte de compostos orgânicos que sofrem halogenação pelo contacto com os agentes clorados que intervêm no processo de branqueamento, tendo a formação de compostos organoclorados vindo a ser reconhecida nesses processos de fabrico [9]. Rosenberg et al [10] efectuou um estudo de caracterização das atmosferas ocupacionais da unidade de branqueamento e da máquina de papel de uma fábrica de produção de pasta na Finlândia. Foram encontradas concentrações (expressas como I-TEQ), no ar, de 2,3,7,8 dioxinas e dibenzofuranos que variavam entre 0,04 e 1,9 pg/m 3 , tendo-se que os dibenzofuranos se encontravam presentes em quase todas as amostras e as dioxinas em muito poucas. É de registar que se verificou, neste estudo, que as concentrações mais elevadas de ambos os compostos foram obtidas nas amostras colhidas na unidade de branqueamento quan- 16 QUÍMICA • 72.1999 Tabela I - Emissões de PCDD/PCDF nos gases de exaustão de um incinerador de resíduos sólidos urbanos (RSU) de segunda geração (média de 22 amostras) PCDD ng/Nm3 PCDF ng/Nm3 2,3,7,8-CI 4 DD 0,5 2,3,7,8-CI4DF 2,1 Total das espécies CI 4 DD 11 Total das espécies CI4DF 72 1,2,3,7,8-CI ; DD 2,3 1,2,3,7,8-CI7DF 7,8 Total das espécies CI S DD 24 Total das espécies CI 5 DF 112 1,2,3,4,7,8-CI 6 DD 2,9 1,2,3,4,7,8-CI6DF 13,1 1,2,3,6,7,8-CI 6 DD 4,0 1,2,3,6,7,8-CI6DF 12,0 1,2,3,7,8,9-CI 6 DD 3,6 1,2,3,7,8,9-CI6DF 1,1 Total das espeécies CI 6DD 41 Total das espécies CI 6 DF 98 1,2,3,4,6,7,8-CI 7DD 27,3 1,2,3,4,6,7,8-CI7DF 71,0 Total das espécies CI 7DD 57 1,2,3,4,7,8,9-CI7DF 7,0 CI 5DD 148 Total das espécies CI 7DF 106 Total das espécies C1 4-CI S DF 281 CIt1DF 95 I-TEQ 11,8 Total das espécies C1 4 -CI 8 DF 483 Fonte: 1241 í3 i ^ o do esta processava madeiras de bétula. Os compostos halogenados como as dioxinas e dibenzofuranos que se formam no processo de produção de pasta de celulose são emitidos para o ambiente exterior nos efluentes gasosos e em suspensão nos efluentes líquidos, em particular no caso dos provenientes das unidades de branqueamento de pasta. Uma vez que se trata de compostos muito estáveis, extraordinariamente difíceis de degradar (são estáveis a temperaturas superiores a 700 C, o que é uma razão para a sua elevada persistência), estas espécies ficam em grande parte retidas nas lamas quando se efectua o tratamento de efluentes líquidos. Essas lamas podem sofrer vários tipos de utilização, entre os quais a reciclagem para produção de papel se o teor e qualidade de fibras ainda for apreciável, embora muitas vezes sejam depositadas em aterro ou incineradas em caldeiras de biomassa. Se tal acontece, as dioxinas presentes nas lamas podem vir a ser, em parte, emitidas para a atmosfera, dada a dificuldade de destruir esses compostos, mesmo às altas temperaturas verificadas nas unidades de combustão [11]. Além disso, verificase a ocorrência destes compostos nas cinzas resultantes da operação dessas caldeiras, de acordo com os estudos de Someshwar et al. [ 12]. Estes autores, através de uma série de campanhas de medição efectuadas em unidades nos Estados Unidos, encontraram um teor de emissão médio, para estas caldeiras, de 4,9 10-10 kg I-TEQ por tonelada de lamas alimentada. Em incineradores de resíduos sólidos urbanos a emissão típica média era em 1987 de 1,4 x 10 - 7 kg 1-TEQ por tonelada de resíduos. Nos modernos incineradores de resíduos sólidos as emissões típicas são hoje mais de 10000 vezes inferiores. 3.2. Indústria Siderúrgica Outro sector industrial em que se verifica ocorrerem emissões não neglicenciáveis de dioxinas é o sector siderúrgico. De uma pesquisa efectuada, recentemente, sobre o sector siderúrgico sueco chegou-se ao quantitativo global de 0,8 ng I-TEQ/g de partículas emitidas [ 13], considerando a Agencia de Protecção Ambiental Sueca que este sector é a principal fonte de dioxinas neste pais. Também na Suécia e na Holanda foram detectados, em unidades típicas de sinterização, teores nos efluentes gasosos superiores a 3 ng/Nm 3 t o que faz corresponder (nesses países) a um valor médio de cerca de 24 g I- -TEQ/ano por unidade fabril que integre uma unidade desse tipo. Do mesmo modo, em partículas emitidas a partir de processos de fundição, tem vindo a ser detectada a presença de dioxinas em quantidades superiores a 22,7 ng I-TEQ/g. Se hem que existam poucos estudos a respeito deste sector para a Europa do Sul, é de prever que os teores sejam também elevados nesta região, tanto mais que aqui se verifica, geralmente, a existência de unidades antigas, de pequenas dimensões, e que processam grandes quantidades de sucata de metais ferrosos, muitas vezes contaminada com outros materiais. 3.3. Incineração de resíduos Por último, o sector da incinera- ção de resíduos, quer se trate de resí- duos sólidos urbanos (RSU), quer se trate de resíduos urbanos, hospitalares ou tóxicos e perigosos, é, sem dú- vida aquele que é mais do conhecimento pelo público corno potencial fonte de emissões de dioxinas, estando assim sujeito a grande pressão por parte deste e dos media. Possivelmente por estas razões existe, na generalidade, um melhor conhecimento dos níveis de emissão neste tipo de unidades, que são fruto de intenso estudo analítico [4]. Assim, no que diz respeito às emissões de unidades de incineração de resíduos sólidos, os níveis de incerteza são de facto menores uma vez que as condições de amostragem são mais favoráveis e as investigações efectuadas sobre estas últimas fontes resultaram num melhor conhecimento dos mecanismos de formação e decomposição destes compostos, principalmente nos sistemas de incineração de resíduos urbanos [14]. Na tabela I apresentam-se dados dos teores típicos de dioxinas e dibenzofuranos presentes em gases de exaustão de incineradoras de resí- duos sólidos urbanos. 3.4. Veículos automóveis Conforme se referiu anteriormente, a exaustão de gases de escape de veículos automóveis é ainda responsável pela emissão de compostos desta natureza para a atmosfera. Compostos halogenados como o dibromometano e o dicloroetano são adicionados à gasolina com chumbo para evitar a deposição de compostos de chumbo nos motores. A ausência QUÍMICA . 72 • 1999 17 Tabela II - Estimativa das emissões anuais de dioxinas e congéneres referidos a 1995, no Reino Unido Processo Estimativa de emissões para a atmosfera (g I-TEQ/ano) Produção de coque 2 Combustão de carvão 5-67 Combustão de óleos residuais 0,8-24 Combustão de macieira 1,4-2,9 Combustão de palha 3,4-10 Combustão de pneus 1,7 Combustão de gás de aterros 1,6-5,5 Unidades sinterização 29-54 Siderurgias 3-41 Fundições (não-ferrosos) 5-35 Cimentos a 0,2-11 Calcários 0,04-2,2 Vidro 0,005-0,01 Cerâmica 0,02-0,06 Compostos halogenados 0,02 Pesticidas 0,1-0,3 Combustão de RSU 460-580 Combustão de resíduos químicos 1,5-8,7 Combustão de resíduos hospitalares 18-88 Combustão de lamas de ETARS 0,7-6 Asfaltos 1,6 Crematórios 1-35 Combustão doméstica 22-52 Trafego automóvel 1-45 Fogos naturais 0,4-12 TOTAL PARA O REINO UNIDO 560-1100 Fonte : 1231 a r t i b o daqueles compostos na gasolina sem chumbo faz com que a emissão de dioxinas e dibenzofuranos seja, neste caso, consideravelmente inferior [15]. 3.5. Fontes diversas Na Tabela II apresentam-se valores estimados para as emissões anuais de dioxinas e congéneres para a atmosfera no Reino Unido, referidas a 1995, por sectores de actividade. É de assinalar neste dados a elevada contribuição da incineração de Resíduos Sólidos Urbanos, que resulta de estarem ainda em funcionamento no Reino Unido, unidades de incineração de primeira e de segunda geração. Grande parte destas unidades vai ter de instalar sistemas adicionais de purificação dos gases efluentes de forma a cumprir teores de dioxinas e dibenzofuranos inferiores a 0,1 ng/Nm3 .

  1. TEORES DE DIOXINAS E DIBENZOFURANOS NO MEIO AMBIENTE As dioxinas e dibenzofuranos emitidos a partir dos processos de combustão são transportados através da atmosfera, depositando-se nos oceanos, lagos e no próprio solo. Devido à sua deposição no meio aquático e à sua baixa solubilidade em água, estes compostos vão ficando acumulados nos sedimentos. Por esta razão, o estudo analítico dos sedimentos permite avaliar quais as fontes que originaram estes contaminantes e em que altura foram emitidos. Deste modo, sabe-se que, anteriormente a 1940, apenas se produziram emissões residuais de PCDD e dibenzofuranos policlorados (PCDF), e apenas a partir desta data se começaram a verificar emissões significativas. Estes dados estão de acordo com início das actividades industriais de produção de compostos clorados.
  2. 5. IMPACTO DAS DIOXINAS E DIBENZOFURANOS SOBRE OS SERES HUMANOS Nos países mais industrializados do Norte da Europa (Alemanha, Reino Unido, Holanda) os níveis de dioxinas encontrados em seres humanos começam a estar perigosamente próximos da dose que se estima ser capaz de produzir os primeiros sintomas de toxicidade em seres humanos e animais [16]. Os efeitos sobre seres humanos expostos a doses baixas de dioxinas e dibenzofuranos incluem alterações do seguinte tipo : imunossupressão, com consequente diminuição das defesas do organismo contra agentes patogénicos vindos do exterior; doença hepática, com aumento de volume do fígado e acumulação intracelular de gordura (com possível evolução para cirrose hepática); possível redução da contagem de espermatozóides viá- veis, o que poderia explicar parcialmente a diminuição acentuada, nos últimos 50 anos, dos níveis de fertilidade; indução enzimática dos enzimas hepáticos de destoxificação (família dos citocromos P450); alteraçõ- es da coagulação sanguínea. Na Holanda foram detectados casos de derrame sanguíneo cerebral em recémnascidos, que foram associados a exposições a doses medianamente elevadas de dioxinas comidas no leite materno [16]. Estes derrames podem estar associados a uma deficiência em vitamina K (lipossolúvel), que pode aparecer quando há lesão das células do fígado, e uma redução consequente da quantidade de ácidos biliares incluídos na bílis. Esta redução origina uma má absorção de compostos lipossolúveis por deficiente emulsão das gorduras no duodeno, que terá afectado negativamente a absorção de vitamina K, resultando nos derrames descritos. O consumo de peixe por populações humanas, em zonas costeiras do Mar Báltico, foi também associa- 18 QUÍMICA - 72.1999 a r ti g c) (*) do aos primeiros sintomas de exposição a dioxinas em doses medianamente elevadas [17]. As dioxinas estariam neste caso contidas na gordura do peixe, sendo este um bom exemplo da contaminação através da cadeia alimentar. A entrada destes contaminantes no corpo humano faz-se principalmente por via indirecta, através da cadeia alimentar [18], sendo menos importante a via de contacto directo corn a pele e a via respiratória [19]. Os produtos animais contêm apenas um determinado número de isómeros tóxicos mais estáveis [20], e diversos estudos [21] demonstram que uma importante percentagem das dioxinas e dibenzofuranos, procedentes de sedimentos e cinzas volantes, penetram na cadeia trófica por bioacumulação em organismos aquáticos. Uma vez o contaminante presente no corpo humano tende a acumular-se em diversas zonas com elevado teor em gordura, tais como o tecido adiposo e o leite materno. Em 1989 efectuaram-se diversas análises de leite humano, em que foi detectada a presença de PCDD e PCDF [22]. Os níveis encontrados indicam que não há diferenças entre zonas industrializadas e outras. Mais de 50% das dioxinas encontradas são do tipo octaclorodibenzo-p-dioxina, em gamas de concentração entre 200 e 2000 pg/g de gordura. Uma conclusão importante destes estudos é a de que a concentração de PCDD e PCDF no leite materno decresce à medida que aumenta o número de filhos que tenham sido amamentados pelas suas mães, o que indica que a amamentação é uma via importante de transferência das dioxinas da mãe para o filho. Além disso, tem-se verificado, por meio de estudos cinéticos, que os isómeros mais lipofí- licos são os que se eliminam mais rapidamente através do leite materno. Vartiainen e Liimatainen [ 16] demonstraram que as dioxinas e dibenzofuranos são cancerígenos no Homem (cerca de 20 anos após a exposição), como aliás já tinha sido demonstrado em animais, embora os mecanismos concretos da geração de tumores não estejam ainda completamente esclarecidos. Os "efeitos letais" da exposição teriam assim um período de incubação de cerca de 20 anos, o que explica a dificuldade, encontrada até 1991, em estabelecer um nexo de causalidade entre exposição a dioxinas - tanto no caso de acidentes graves (exposição a doses altas em curto período de tempo) como nos casos de trabalhadores expostos a doses mais baixas por períodos consideráveis - e o aparecimento de cancro no Homem.
  3. 6. CONCLUSÃO Do exposto, conclui-se que os compostos policlorados da família das dioxinas e os dibenzofuranos constituem um problema de que só se tem vindo a tornar consciência recentemente, mas que tudo indica ser de enorme gravidade, principalmente devido á facilidade de bio-acumulação, persistência e toxicidade. Além disso, o seu efeito não se restringe a áreas industriais limitadas, uma vez que as fontes que os originam são muito variadas e estes contaminantes são susceptíveis de serem transportadas pelo vento através da atmosfera até zonas razoavelmente afastadas da sua fonte de geração. REFERÊNCIAS 1. Gilman, H.; Dietrich, J.I., J. Amer. Chen. Soc., 79, 1439 (1957). 2. Sanderman, W.; Stockman, H.; Casten, R., Chem. Ber., 90, 690 (1957). 3. Kimmig, J.; Schultz, K.H., Dermatologia, 115, 540 (1957). 4. Rappe, C., in Dioxin, Toxicological and Chemical Aspects, SP Medical and Scientific Books, London, 1978. 5. Fanelli, R., Garttini, S., "Human exposure to dioxin", New Horizons in Biological Dosimetry, 167, Wiley-Liss Eds., New York, 1991. 6. Travis, C.C.; Frey, H.A.H., Science of Total Environment, 104, 97 (1991). 7. Pohjanvirta, R.; Vartiainen, T.; Uusirauva, A.; Monkkonen, J.; Tuomisto, J.; Pharmacology and Toxicology, 66, 93 (1990). 8. Vartiainen, T.; Liimatainen, A.; Kauranen, P.; Science of Total Environment, 62, 75 (1987). 9. Kringstad, K.P.; Lindstrom, K., Environmental Science Technology, 18, 236A (1984). 10. Rosenberg, C.; Kontsas, H.; Jappinen, P.; Tornaeus, J.; Hesso, A,; Vainio, H., Chemosphere, 29 (9-11), 1971 (1994). 11. Halonen, I.; Tarhanen, J.; Oksanen, J.; Vilokki, H.; Vartiainen, T.; Ruuskanen, J., Chemosphere, 16, 1759, 1993. 12. Someshwar, A.V.; Jain, A.K.; Whittemore, R.C.; LaFleur, L.E.; Gillespie, W.I., Chemosphere, 20(10-12), 1715, 1990. 13. Swedish Environmental Protection Agency, Report 4008, Stockholm, 1992. 14. Penner, S.S.; Li, C.P.; Richards, M.B.; Wiesenhahn, D.F., Science of Total Environment, 104, 35 (1991). 15. Muller, M.D.; Buser, H.R., Environmental Science Technology, 20, 1151 (1986). 16. Vartiainen, T.; Liimatainen,A., Mutation Res., 169, 29 (1986). 17. Kronberg, L.; Vartiainen, T., Mutation Res., 206, 177 (1988). 18. McLachlan, M.; Thoma, H.; Reissinger, M.; Hutzinger, O., Dioxin 89, Toronto, 1989. 19. Keenan, R.E.; Sauer, M-M.; Lawrence, F.H., Chemosphere, 19, 877 (1989). 20. Beck, H.; Eckart, K.; Mathar, W.; Wittkowski, R., Chemosphere, 19, 655 (1989). 21. Kuel, D.W.; Cook, P.M.; Batterman, A.R.; Lothenback, D.B.; Butterworth, B.C.; Johnson, D.L., Chemosphere, 14, 427 (1985). 22. Birmingham, B.; Thorpe, B.; Frank, R.; Clement, R.; Tosine, H.; Fleming, G., Chemosphere, 19, 507 (1989). 23. Her Majesty's Inspectorate of Pollution, "A Review of Dioxin Emissions in the UK", DoE Report N° DoE/HMIP/RR/95/004, Sector N' 2.1, DoE, London, 1995. 24. Fielder, H.; Hutzinger, O., Toxicological and Environmental Chemistry, 29, 157 (1991). * as concentrações de poluentes em gases indicam-se expressas em unidades de massa por m 3 em condições PTN (Nm 3 ) Departamento de Engenharia Química, Instituto Superior Técnico, Av. Rovisco Pais, 1096 Lisboa Codex (* *) Faculdade de Farmácia; Universidade de Lisboa, Av. das Forças Armadas, 1600 Lisboa (***) Centro de Tecnologias Ambientais, Divisão de Ambiente, Ener